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sábado, 31 de março de 2012

Vasos de descanso

O final do verão e início de outono ainda é boa época para transplantes. Algumas plantas que ainda precisam evoluir (ex.: melhorar nebari, ramificação ou cicatrizar marcas de cortes) se beneficiam se colocadas em vasos mais folgados, principalmente quando são "mame-bonsai".


Acima: Cereja do Rio Grande colocada em vaso mais fundo e com folga para alargar o nebari. Esta planta foi mostrada em outra postagem. Para o transplante as raízes foram "penteadas" para ficarem folgadas. As folhas passaram por metsume muito leve, e menos de 10% das raízes foram cortadas. Ainda assim vai ficar à sombra por alguns dias. Compare o tamanho do vaso com a postagem anterior ("Cereja do Rio Grande Mame").

Acima, detalhe do tronco e estrutura dos galhos. Parte do descanso é retirar arames e dar uma folga para os galhos. O musgo ajuda a reter a humidade. Essa árvore tem 11 cm de altura.


Abaixo: um cambuí mame também foi transplantado no mesmo dia. O vaso mais largo acomodou bem as raízes. Muito raso, vai demandar vigilância para não secar, pois o torrão ficou com cerca de 3cm de altura. A árvore tem uns 13cm de altura.


 Assim como a Cerejinha, esta árvore teve poucas raízes podadas, mas a copa foi proporcionalmente mais reduzida. Cambuís gostam de alguma matéria orgânica no substrato, para prover nutrientes e manter mais úmido. As cicatrizes grandes merecem paciência para fecharem.

Abaixo: outros ângulos para ter melhor idéia da árvore.





Acima: o céu no final de março: 26 graus Celsius, sol forte alternado com céu encoberto, chuvas ocasionais e localizadas (às vezes, chove a poucas dezenas de metros de onde o sol continua forte). A temperatura pode cair uns 8 graus de um dia para o outro. A partir de abril as chuvas começam a ficar mais raras. Em maio já estará seco e fresco, as plantas vão diminuir intensidade do metabolismo e precisar de maior atenção para não secarem.

sábado, 17 de março de 2012

Shari e fungos

Deixar madeira morta é técnica para dar aspecto selvagem e velho aos bonsai. Kimura refere que dificilmente madeira com menos de 100 anos, ainda que tratada, durará em bonsai. Por isso, é boa técnica deixar as laterais da árvore vivas, de forma que, havendo apodrecimento de parte do tronco, principalmente perto do solo, não ocorra inversão da conicidade (a parte de baixo do tronco ficar mais fina).




No caso dessa kaizuca (Juniperus chinensis), desisti de brigar com os fungos, vou deixar formar um "uro" ("tronco oco"), e tentar reparar as laterais deixando o lado D ficar mais forte (por isso os galhos sendo deixados crescer nesse lado).


Verão quente, muito calor, umidade e musgos. Apareceu cogumelo: melhor curtir a aparência que tentar eliminar a qualquer custo. No próximo transplante limparei a madeira podre. Também será necessário mudar um pouco a frente da árvore para deixar a aparecer o veio vivo da D, e evitar a impressão de inversão de conicidade citada acima.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Chloroleucon ("Rain tree")

Em função de nome antigo ("Pithecolobium"), o nome popular dessa árvore entre bonsaístas (ao menos no sudeste do Brasil) é "piteco".


Acima: 11 março 2012 - desfolhado e colocado em vaso maior para trabalhar nebari e iniciar reforma da copa. Altura: 46cm; nebari 24cm; altura/nebari = 1,92. Categoria (pela altura): Chuhin; estilo shakan.

O nome inglês "brazilian rain tree" ou apenas "rain tree" (árvore da chuva) se deve ao nome comum de outra árvore, da mesma família ("Fabaceae"). As "rain trees" de verdade são enormes fabáceas Samanea saman, comuns na América Central. A "chuva" que lhes dá o nome são gotículas de água excretada por milhares de cigarrinhas (insetos da ordem dos homoptera, principalmente gênero Ptyleus), que sugam a seiva e excretam o excesso de água continuamente. Essa "chuva" cai em quantidades que podem deixar o chão sob a copa úmido. Espuma de cigarrinhas é comum em pastagens no Brasil.
O gênero cujo nome atual é Chloroleucon tem pelo menos duas espécies citadas para bonsai: C. tortum e C. tenuiflorum. Não consegui esclarecer, consultando livros brasileiros e sem ter as flores e frutos para comparar, se são mesmo espécies diferentes. Lorenzi (2002) as considera mesma espécie e adota o nome C. tenuiflorum (Benth.).
Muitos bonsai de piteco são obtidos com yamadori, principalmente no litoral do Rio e Espirito Santo.

Abaixo evolução da planta. As placas de musgo iriam ser colocadas, mas acabei desistindo e as retirei depois.




Abaixo: 3 março 2012. Logo antes de ser desfolhada e transplantada.



Abaixo: 12 outubro 2010. Galhos se formando. Não havia brotado o galho de frente que aparece nas fotos acima (mais fácil de ver na árvore desfolhada).


Assim como os Kaedê, os pitecos aceitam muito bem as podas, cicatrizam fácil, toleram bem transplantes mesmo quando há poucas raízes (não é raro que estacas ou pedaços de tronco ou galhos com até 10 cm de diâmetro enraizem em areia). Dessa forma estão ocupando o lugar de "planta clássica" para os bonsaístas do sudeste brasileiro, assim como os Acer o são no Japão, EUA e Europa.

Abaixo: 14 setembro 2007



Aqui se vê que a planta era um "moiogi" (tronco curvo, com o centro de gravidade e o ápice coincidindo com o nebari), e que tinha grande shari (parte do tronco como madeira seca). A cicatrização dos pitecos é muito boa. No caso desta árvore, ao tentar cicatrizar e cobrir a madeira morta, formou-se grande aba de tecido que começara a inverter a conicidade do tronco (a parte onde estava tentando cicatrizar começou a ficar mais grossa que a parte do tronco abaixo). Isso levou a retirada de todo o shari e mudança de frente da planta. Em compensação, o tronco ganhou mais movimento, e a planta passou a ser cultivada como "shakan" (tronco inclinado, com o ápice e o centro de gravidade deslocados para um lado em relação ao nebari).

Abaixo em 7 janeiro 2007 (3 meses após chegada), ainda no vaso em que foi adquirida. Essa frente foi invertida.