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segunda-feira, 12 de março de 2012

Chloroleucon ("Rain tree")

Em função de nome antigo ("Pithecolobium"), o nome popular dessa árvore entre bonsaístas (ao menos no sudeste do Brasil) é "piteco".


Acima: 11 março 2012 - desfolhado e colocado em vaso maior para trabalhar nebari e iniciar reforma da copa. Altura: 46cm; nebari 24cm; altura/nebari = 1,92. Categoria (pela altura): Chuhin; estilo shakan.

O nome inglês "brazilian rain tree" ou apenas "rain tree" (árvore da chuva) se deve ao nome comum de outra árvore, da mesma família ("Fabaceae"). As "rain trees" de verdade são enormes fabáceas Samanea saman, comuns na América Central. A "chuva" que lhes dá o nome são gotículas de água excretada por milhares de cigarrinhas (insetos da ordem dos homoptera, principalmente gênero Ptyleus), que sugam a seiva e excretam o excesso de água continuamente. Essa "chuva" cai em quantidades que podem deixar o chão sob a copa úmido. Espuma de cigarrinhas é comum em pastagens no Brasil.
O gênero cujo nome atual é Chloroleucon tem pelo menos duas espécies citadas para bonsai: C. tortum e C. tenuiflorum. Não consegui esclarecer, consultando livros brasileiros e sem ter as flores e frutos para comparar, se são mesmo espécies diferentes. Lorenzi (2002) as considera mesma espécie e adota o nome C. tenuiflorum (Benth.).
Muitos bonsai de piteco são obtidos com yamadori, principalmente no litoral do Rio e Espirito Santo.

Abaixo evolução da planta. As placas de musgo iriam ser colocadas, mas acabei desistindo e as retirei depois.




Abaixo: 3 março 2012. Logo antes de ser desfolhada e transplantada.



Abaixo: 12 outubro 2010. Galhos se formando. Não havia brotado o galho de frente que aparece nas fotos acima (mais fácil de ver na árvore desfolhada).


Assim como os Kaedê, os pitecos aceitam muito bem as podas, cicatrizam fácil, toleram bem transplantes mesmo quando há poucas raízes (não é raro que estacas ou pedaços de tronco ou galhos com até 10 cm de diâmetro enraizem em areia). Dessa forma estão ocupando o lugar de "planta clássica" para os bonsaístas do sudeste brasileiro, assim como os Acer o são no Japão, EUA e Europa.

Abaixo: 14 setembro 2007



Aqui se vê que a planta era um "moiogi" (tronco curvo, com o centro de gravidade e o ápice coincidindo com o nebari), e que tinha grande shari (parte do tronco como madeira seca). A cicatrização dos pitecos é muito boa. No caso desta árvore, ao tentar cicatrizar e cobrir a madeira morta, formou-se grande aba de tecido que começara a inverter a conicidade do tronco (a parte onde estava tentando cicatrizar começou a ficar mais grossa que a parte do tronco abaixo). Isso levou a retirada de todo o shari e mudança de frente da planta. Em compensação, o tronco ganhou mais movimento, e a planta passou a ser cultivada como "shakan" (tronco inclinado, com o ápice e o centro de gravidade deslocados para um lado em relação ao nebari).

Abaixo em 7 janeiro 2007 (3 meses após chegada), ainda no vaso em que foi adquirida. Essa frente foi invertida.



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