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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Bonsai ou penjing?

Abaixo: a mesma planta - um resedá -, na primeira foto, no vaso (bonsai). Depois, compondo paisagem (penjing). Fácil?



Os exemplos acima introduzem o assunto desta postagem, e que já apareceu - sem ser discutido - em outras postagens: tenho me referido a algumas plantas ora como bonsai, ora como penjing.

Considerando que eu mesmo tive dificuldade em entender a diferença, me proponho a compartilhar até onde consegui chegar. Para isso, além de mostrar ilustrações, faço uma revisão do assunto, incluindo tradução do melhor artigo que encontrei. Trata-se de texto de Robert Steven, publicado no blog dele: http://robert-steven.ofbonsai.org/Robert é bonsaísta que vive na Indonésia e autor de livros e exposições de bonsai, autorizou prontamente meu pedido para uma versão em português aqui publicada. Reproduzo o texto original ao final desta postagem para facilitar tanto o acesso como para checar a tradução e permitir que um leitor faça sua própria versão.

Para facilitar a compreensão, ocasionalmente coloquei no texto algum comentário ou explicação adicional, entre colchetes, ex.: [...no livro...], ou uma ilustração, "quebrando" a diagramação original, que tem apenas texto. Deve ser dito que Steven escreve de maneira poética e sofisticada, tornando difícil "traduzir" o estilo. Independentemente da língua é necessário algum esforço para manter sintonia com o que ele diz e acompanhá-lo. E compensa. Começo pelo texto, depois mostro algumas fotos para tentar ilustrar os conceitos de bonsai e penjing.

Diz Robert: [edição do texto, como uso de itálicos, foram mantidas conforme o original]

Algumas pessoas me dizem que meus bonsai são penjing corrompidos, e que meus penjing não são autênticos. Antes de ir adiante, gostaria de explicar a diferença entre penjing e bonsai. Penjing é o mesmo que bonsai? Existe uma diferença no conceito e filosofia?

A resposta é: Sim - e Não! Depende do contexto da discussão. Esse tem sido ponto de controvérsia que se delonga, já que há poucos artigos sobre penjing escritos por fontes chinesas competentes. Confusão sobre esse assunto pode ser encontrada em livros, artigos e em discussões nos fóruns online. Nessas instâncias as duas artes são consideradas a mesma coisa - simples problema de tradução - mas outras vezes elas são referidas como duas formas de arte diferentes. Então qual é a verdade?

Deixem-me começar pelo entendimento básico das palavras, "bonsai" (japonês) e "penjing" (mandarim). Pen = vaso, jing = vista ou paisagem. Penjing significa "paisagem num vaso". Bonsai em japonês significa "plantado num vaso", o que traduzido para o chinês é penjai ou penzai. Essas palavras significam simplesmente "planta em um vaso". Qualquer planta que esteja em um vaso é chamada penjai. E penjing não tem o mesmo significado que bonsai, como entendemos hoje. O que chamamos de bonsai, em mandarim é chamado shujuang penjing. Em artigos e discussões, a palavra shujuang é usualmente deixada de fora, sendo usada apenas a palavra penjing. Então, num contexto bem geral, bonsai é o mesmo que penjing porque todos sabemos sobre o que estamos falando - por eliminação da palavra shujuang. Mas num contexto específico, penjing é diferente de bonsai.

Penjing tem um sentido mais amplo, como forma de arte com nuances específicas. Shujuang penjing (bonsai) é apenas um dos estilos na arte penjing, mais ampla. Há shanshui penjing (penjing de pedra), bigua penjing (penjing de colocar na parede) [no livro da Amy Liang há foto dessas paisagens com árvores miniaturas para pendurar na parede, como um quadro, que reproduzo abaixo para dar uma idéia do que se trata], shuihan penjing (penjing de água e terreno), shushe penjing (penjing de árvore e pedra) - etc.  A filosofia básica do penjing é "Yua yu je zan, Gao yu je zan", que significa "inspirado pela natureza, admirado como superior à natureza".






Acima: exemplo de bigua penjing, retirado do livro de Amy Liang  "The living art of Bonsai", 2005, p. 57.

Com penjing tentamos recriar a beleza da natureza sem eliminar as imperfeições da natureza. Há uma grande dose de criatividade e liberdade na forma como o artista pode fazer isso com penjing. A alma do penjing é revelada mais na apresentação como um todo; na mensagem temática, no simbolismo e poesia. A aparência é natural, a estética não depende tanto dos detalhes anatômicos da árvore. Penjing envolve mais uma expressão subjetiva, com referências emocionais pessoais muito fortes. Perfeição anatômica não é um requisito em penjing porque a natureza é imperfeita. A habilidade técnica, importante para bonsai, não é tão importante em penjing. Em vez de aplicar habilidade às árvores, ela deve ser direcionada mais para obtenção do efeito de uma mensagem temática ao observador. A essencia do todo mais importante em Penjing é "Hua jong you se, se jong you yu; Jin jong you dong, dong jong you diao", significando "dentro do quadro, há poesia; dentro da poema; há sentido; no silêncio, há movimento, no movimento, há ritmo". O aspecto objetivo do penjing é reproduzir o fenômeno da imperfeição natural. O aspecto subjetivo é baseado em equilibrar a aparência de um movimento capturado da natureza, com uma mensagem implícita de um tema. Na apresentação da mensagem, nuance e simbolismo devem ser usados para valorizar a aparência como um todo. Esse efeito requer interpretação imaginativa por parte do artista e do observador.


O que estou fazendo com meu próprio trabalho é combinar aspectos objetivos do bonsai com aspectos subjetivos do penjing, a beleza do refinamento estrutural do bonsai com a beleza interior da aparência simbólica do penjing, tudo para dar nuance única ao resultado. Na minha opinião, o termo "autentico" não tem relevancia em arte. Um artista deve ser capaz de atingir seu próprio caráter e identidade. Eu não estou tentando criar meu próprio estilo [referindo-se a um dos estilos de bonsai - shokan, moyogi, etc.], mas tentando encontrar possibilidades novas, inovadoras, baseadas em aplicação de meus próprios conceitos estéticos. Não há o absoluto em arte e beleza. Para a apreciação de uma criação artística acontecer, deve haver uma interação emocional entre o objeto de arte e o observador. Isso requer comunicação entre o objeto de arte e quem o olha.


Se há um sabor chinês forte no meu trabalho, isso é simples reflexo de meu gosto pessoal e interesse na filosofia oriental, como a poesia caligráfica chinesa ou os poemas Tang, sentimentais e melancólicos. Como foi dito antes, arte é uma coisa viva que continuamente interage com a vida através de quem a vê. Bonsai também é um tema vivo, que muda de acordo com regras da natureza e horticultura. Dessa forma, as regras da arte do bonsai são baseadas tanto nas regras do fenômomeno natural como nas fantasias dos indivíduos e convenções sociais. Minha definição de beleza pode não ser a mesma de outra pessoa. Interpretações e percepções de beleza são muito pessoais. Dependem da bagagem, conhecimento, cultura, valores sociais locais, experiências e mesmo das condições emocionais do observador num dado momento.


Meu trabalho é um reflexo de meus próprios sentimentos e atitude. Ao fazer bonsai, não estou muito preocupado com o efeito final, mas mais com o processo prazeroso. Aproveito o processo lento de revelar o caráter e identidade da árvore - um processo que coloca minha vida em paralelo com a jornada de vida da árvore. É mais um processo de meditação ativa e cultivo de uma relação onde me coloco "de alma" com o objeto artístico, ao invés de exploração simples e superficial do objeto. Entre a árvore e eu não há comunicação verbal, e no entando há um entendimento que ecoa.


Visto o texto, vejamos outros exemplos. As três fotos abaixo são de plantas mostradas na exposição Kokufu 80 (são fotos de fotos, por isso a qualidade ruim). Lembrando que Kokufu é a exposição máxima de bonsai japonês, ou seja, são fotos de bonsai.

A primeira, um pinheiro plantado em pedra, com plantas de acompanhamento plantadas junto. Ok, mas não evoca exatamente uma paisagem. E imagino que se possa afirmar que é uma árvore com acompanhamento: o pinheiro domina a visão.



Abaixo, outra confusão fácil: um bosque (que inclusive é um dos estilos de bonsai) é penjin?


E abaixo, a mais interessante: nessa composição, a imagem da planta à beira de um barranco (o conjunto) é muito mais forte que a planta em si. A sugestão de paisagem, de contexto, é mais forte que apenas a planta. A meu ver, tem muito de penjin.


Final da (e começo de nova) história: Penjing e Bonsai (com letras maiúsculas) são artes diferentes, chinesa e japonesa. Um bonsai (uma árvore feita por artista devotado a Bonsai), como acima, pode ser reconhecido por artistas chineses como penjing, pelo seu poder de evocar uma sensação relacionada à paisagem que sugere. Mas dificilmente um penjing "puro" (onde frequentemente há figuras humanas, pontes, pagodes, animais) será visto como "bonsai" pelos japoneses. Acrescente-se que falta de técnica produz brinquedos ou, no máximo, dioramas. Cada um se diverte como pode e deseja. Só não dá para dizer que qualquer coisa é arte... Arte é resultado de boa técnica, bons materiais e senso estético com sensibilidade. Esses componentes nem sempre estão todos presentes, mas numa obra realmente impressionante são imprescindiveis.

Vamos ver outras fotos de trabalhos de autores chineses (ou de tradição chinesa):


Acima: essa composição de Su Chin Ee, artista de Singapura, aparece no seu livro "Creating Bonsai Landscapes", (2003, p82-83.), publicado na Inglaterra. A parte interna da capa deste livro descreve penjing como "an older form of bonsai" (uma forma mais antiga de bonsai): a confusão conceitual é comum.


Acima: mais uma obra de Amy Liang (op. cit., p. 68). Evidente junção de evocação sentimental da paisagem associada a árvore trabalhada com técnica apurada. A árvore é parte do quadro, dividindo atenção com outros componentes e - mais importante - com o todo. A sensação transmitida pela obra não seria possível apenas com a árvore e o "vaso". Liang também se refere a essa foto como sendo de "bonsai".

Abaixo: Reprodução de ilustrações do livro de Chye Tan, talvez o autor que mais explicitamente expressa a filosofia penjing, em seu livro "El espíritu del diseño en bonsái - el poder del zen y la naturaleza" (2005). Tan literalmente busca descrever como obter o efeito de provocar determinados sentimentos, objetivando quais características as composições devem ter para tal.

Acima: o apelo melancólico é evidente, objetivado nas ruínas e no estilo "chorão" da árvore. Sobre esta foto, diz Tan (2005, p. 36): (...) "El entorno hace aflorar sentimientos de wabi."

 

Acima: mais uma composição retratada no livro de Tan (op. cit., p. 23): "(...) viva interacción de elementos que recuerdam los almendros del sur de Francia". As árvores não mostram técnica nem características tidas como desejáveis em bonsai.


Acima: outra composição do livro de Tan (p. 138) É evidente que o trabalho nas árvores, individualmente, não é o mais importante para provocar os sentimentos de grandiosidade da cena, que parece ter lançado mão inclusive de recursos de fumaça de gelo seco para criar uma "neblina". A ave (cegonha) parece ser o centro da atenção, não as plantas, que aliás são quase simples demais.

Abaixo: essa composição (Tan, p. 75) é cópia de paisagem real (pedra Ko Tapoo, litoral da Tailândia). Mais importante que ter aparência exata do real, é causar a mesma sensação de perda de fôlego e espanto. Desde que não se olhe detidamente os shimpaku, pobremente trabalhados e mesmo pouco saudáveis.

Abaixo: o pagode e as pequenas suculentas entre as pedras e os bosque tornam difícil considerar essa composição um "bonsai". O próprio Tan, no entanto, se refere a ela como tal (p.20).


Não há como negar que juntar o rigor técnico do Bonsai (incluindo sua estética zen-budista) com o refinamento e expressividade do Penjing (tipicamente "chinês") amplia as possibilidades e alternativas de satisfação com a arte, esse novo "bonsaísmo sincrético". Percebam que mantenho a primazia do Bonsai (ao invés de dizer "penjing sincrético"). Isso se deve à hegemonia, no Brasil, de influência japonesa - temos a maior colônia de japoneses residindo fora do Japão - em relação aos chineses e população do sudeste asiático em geral, onde também há bonsai, vasos, adornos, etc., excepcionais - vide o próprio Steven, que vive na Indonésia.

Essa leitura nova também dá uma nova interpretação ao trabalho de Bonsai moderno, como o de Kimura, expoente do Bonsai japonês mais famoso no mundo ocidental. Kimura também aponta e estimula a superação do que ele chama de "preconceitos" e apego excessivo às regras. Vendo alguns trabalhos contendo filosofia penjing, percebe-se que o fato de Kimura incorporá-la é mais sinal de evolução como artista, não de estar "rendendo-se ao penjing". Trata-se de uso da técnica, com liberdade de expressão e criação, obtendo efeitos tocantes.

Abaixo: O título deste trabalho - "Em busca de paisagem chinesa" - não deixa dúvidas sobre a abertura de Kimura às influências penjing. No entanto, a beleza da composição não existiria se não fosse a técnica Bonsai aplicada à estilização (onde sobressai aramação) e posicionamento das árvores. Retirado de Schoech (ed.): "The Magician - The bonsai art of Kimura 2". 2007, p. 96.

Abaixo: outra composição impressionante de Kimura, apresentada e premiada em exposição de Bonsai (26a Nihon Bonsai Sakufu Ten). O reconhecimento público da comunidade bonsaísta japonesa, obtido por Masahiko Kimura, não é resultado de mera rebeldia como artista, mas uma conquista de competência para ir além das normas e desenvolvê-las.

Então para complicar (não resisti): encontrei essa foto abaixo no site http://www.bonsai-slovakia.sk/12foto-bonsai.htm






Consegue dizer o que é? Penjing? Bonsai? Seria um penjing de jardim de bonsai?


Nenhum nem outro. É um diorama (ou, se for relacionada a um projeto real, maquete de jardim). Adiciona leveza e bom humor, mas não se enquadra em nenhuma das artes - não é evocação da natureza, nem árvore miniatura, estilizada e trabalhada, em vaso.

Bonsai - admiração pela beleza.

Penjin - sedução de devaneio e fantasia.


Espero ter ajudado.


E em tempo: a maioria dos livros citados - incluindo os de Robert Steven - estão disponíveis no site da loja "stone lantern", onde também pode-se acompanhar o blog do Wayne Schoech. 
O endereço: http://bonsaibark.com Fiz algumas compras e fui muito bem atendido. Entrega sem problemas no Brasil, embora leve umas 3-4 semanas para chegar.


Para terminar, como prometido, o texto original do Robert Steven, tão generosamente cedido:

Some people say that my bonsai are contaminated penjing, and that my penjing are not authentic. Before going further, I would like to explain the difference between penjing and bonsai. Are penjing the same as bonsai? Is there a difference in concept and philosophy?
The answer is: Yes- and No! It depends on the context we are discussing. This has long been a controversial issue since there are few articles written about penjing by competent sources from China. Confusion on this matter can be seen in books, articles, and in online discussion forum threads. In these instances the two arts are considered to be the same — simply a matter of translation — but at other times they are referred to as two different art forms. So what is the truth?
Let’s start from the basic understanding of the words, “bonsai,” (Japanese) and “penjing” (Mandarin). Pen = pot, jing = view or landscape. penjing means “landscape in a pot”. Bonsai in Japanese means ” planted in a pot,” which if translated into Chinese is penjai or penzai. This simply means “plant in a pot.” Any plant that is in a pot is called penjai. So penjing does not have the same meaning as bonsai, as we understand it today. What we call bonsai, in Mandarin is called shujuang penjing. In articles and discussion, the word shujuang is usually left off, leaving just the word penjing. So, in a very general context, bonsai is the same as penjing because we all know what we are talking about – by eliminating the word shujuang. But in a specific context, penjing is different from bonsai.
Penjing has a broader context in this art form with its own specific nuance. Shujuang penjing (bonsai) is just one of the styles in the broader penjing art. There are shanshui penjing (rock penjing), bigua penjing (wall-hanging penjing), shuihan penjing (water and land penjing), shushe penjing (tree and stone penjing)-etc-The basic philosophy of penjing is “Yuan yu je zan, Gao yu je zan,” which means “Inspired by nature, admired as superior to nature.”
With penjing we try and recreate the beauty of nature without eliminating the imperfections of nature. There is a great deal of creative and natural freedom in how the artist may do this with penjing. The soul of penjing is revealed more in the whole presentation; the thematic message, the symbolism and poetry. The presentation is natural, without too much of the aesthetic depending on the anatomical details of the tree. Penjing is involved more with a subjective expression, with very strong individual emotional references. Anatomical perfection is not a main requirement in penjing because nature is imperfect. The technical engineering skill important to bonsai is not so important in penjing. Instead, the application of skill should be relevant to the tree only in order to successfully convey the thematic message to viewers. The essence of the whole principal in Penjing is “Hua jong you se, se jong you yu; Jin jong you dong, dong jong you diao,” meaning “Inside the picture, there is poetry, inside the poem, there is meaning; in the silence, there is movement, in the movement, there is rhythm.” The objective aspect of penjing is to follow the phenomena of natural imperfection. The subjective aspect is based on balancing the presentation of the captured moment from nature with the implicit message of the theme. In the presentation of the message, nuance and symbolism should be used to accent the overall presentation. This fact requires imaginative interpretation by the artist and viewer.
What I am doing with my own work is to combine the objective aspect of bonsai with the subjective aspect of penjing, the beauty of the structural refinement of bonsai with the inner beauty of the symbolic presentation of penjing, all to lend a unique nuance to the result. In my opinion, the term “authentic” has no relevance to art. An artist should be able to make his own statement of character and identity. I am not trying to create my own style, but rather trying to find new, innovative possibilities based on my own applications of aesthetic concepts. There is no absolute in art and beauty. For appreciation of artistic creation to occur there should be an emotional interaction between the art object and the viewer. This requires communication between the art object and the viewer.
If there is a strong Chinese flavor in my work it is simply a reflection of my personal taste and interest in Oriental philosophy, like poetic Chinese calligraphy or the sentimental and melancholy Tang poems. As has been said before, art is a living thing that continuously interacts with life through those who view it. The medium of bonsai is also a living subject that changes according to the rules of nature and horticulture. So the rules of bonsai art are based both on the rules of natural phenomena and the whims of individual and societal convention. My definition of beauty may not be the same as someone else’s definition of beauty. Interpretation and perception of beauty are very individualistic. It depends on the viewer’s background, knowledge, culture, local social values, experiences, even the current condition of the viewer’s emotions.
My work is a reflection of my personal feelings and attitude. In making bonsai, I am not too concerned with the final destination, but rather with the joyful process. I enjoy the slow process of revealing the character and identity of the tree — a process that brings my life into parallel with the tree’s life journey. This sort of endeavor is more of an active meditative process and the cultivation of a soulful relationship with the artistic medium, instead of simply a superficial exploration of the medium. The communication between my medium and me may not take place with verbal communication, but there is an echo of understanding, nonetheless.


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