Siga-nos por e-mail

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Tosho - corrigindo shari que apodreceu

Como contei na postagem "tosho", essa árvore tinha shari apodrecido. Aqui recupero a postagem anterior e a completo com a nova etapa, de correção da madeira podre. Repito inclusive o texto antigo para facilitar a leitura:


Juniperus rigida é planta frequente nas grandes exposições japonesas, em geral com trabalhos de madeira exposta. O shari, no entanto, quando desce até o substrato, se não for cuidado apodrece. A planta abaixo, na época ainda bonita, já estava apodrecendo a parte de baixo da madeira morta, onde a calda sulfocálcica não alcança e não havia sido aplicado nenhum selante. O comerciante de bonsais que a vendeu, pouco honesto, disfarçara a linha de podridão com substrato (o que aumentou a humidade e acelerou a decomposição de baixo para cima). A beleza da planta, ainda visível nas fotos abaixo, estava condenada e teria de ser refeita no futuro.

Acima - setembro de 2009, após poda de aclareio. As plantas de acompanhamento são micro-orquídeas (veja a postagem "kusamono"). Foto de João Pedro Araújo Ferreira Campos.


Abaixo: outubro de 2010. A parte viva da planta está saudável (embora precise ser pinçada e aramada), e a parte de baixo do shari já mostra a gravidade do apodrecimento da madeira.


Na série de fotos abaixo, de 7 de abril de 2012, começa a recuperação do bonsai.

Três meses depois da madeira podre do shari ter sido retirada e o que ficou ter sido tratado com calda. Quase toda a madeira da parte de baixo do tronco estava podre. Um pedaço de raiz de aroeira do sertão sendo encaixado e parafusado (parafusos de latão com 3cm de comprimento) no resto de madeira do tronco, vindo por trás. Antes de colocar os parafusos foi feito furo guia com furadeira elétrica, usando broca  um pouco mais fina que os parafusos.

Dois parafusos colocados. Pela diferença da cor e entre o tronco e o "enxerto" dá para ver o quanto de madeira do tronco necessitou ser retirada.



Abaixo, a frente: o encaixe não ficou perfeito (a parte de trás encaixou melhor), resolvi encher as frestas com massa plástica (de lanterneiro).

Abaixo, detalhe: um pequeno galho que foi retirado junto com a madeira estragada estava em bom estado e foi parafusado na lateral mais à direita do "enxerto", dando aspecto mais natural.



Abaixo: colocanda a massa plástica, cobrindo inclusive os parafusos.
  

Abaixo, ainda com o vaso protegido por jornal. Veja-se o galhinho mais à direita da foto, como deu ar natural, mas precisa de acabamento.


Abaixo, sem o jornal, ainda sem limpar o excesso de massa, mas já com um pouco de substrato para completar o nível do nebari e algum musgo para testar o efeito. Melhorando muito.


Dentro de casa depois de concluída a colocação da massa. Agora é repouso, adubo, deixar descansar e recuperar. Mais tarde os galhos serão aramados e o acabamento, lixando os excessos de massa e protegendo toda a madeira com calda sulfocálcica irá melhorando ainda mais o aspecto do "enxerto".


Abaixo: 28 de abril de 2012. O excesso de massa já quase todo limpo, o "enxerto" de shari, como toda a madeira morta, foi tratado com calda sulfocálcica. Houve também aramação, pinçamento dos brotos e limpeza de agulhas velhas. A árvore pronta para ser nutrida e fortalecida com adubação. Um pouco de adubo orgânico foi colocado à D. Não adianta colocar muito agora, pois seria pouco aproveitado. Quando o inverno acabar terá adubo em maior quantidade. Por ora, foliar semanal, diluído.


Abaixo: fotos acrescentadas após criação desta postagem, para acompanhar desenvolvimento.

Abaixo:19 de maio de 2012
abaixo: 22 de junho de 2012

Um comentário:

  1. uma coisa a dizer: parabéns pela dedicação e habilidade. tem sido grande inspiração.

    ResponderExcluir